Os ganhos de produtividade proporcionados pela Inteligência Artificial são impressionantes. Mas existe uma questão que tenho visto surgir com frequência nas conversas sobre IA e governança.
À medida que mais atividades intelectuais passam a ser apoiadas por sistemas de IA, qual será o impacto sobre o desenvolvimento das pessoas dentro das organizações? Afinal, grande parte da formação de executivos acontece justamente durante o processo de análise, construção de cenários, elaboração de recomendações e tomada de decisão.
Talvez o desafio não esteja na tecnologia em si, mas na forma como ela será incorporada ao trabalho. Existe uma diferença importante entre utilizar IA para ampliar a capacidade de raciocínio das equipes e utilizá-la para substituir etapas que antes ajudavam a desenvolver essa capacidade.
É um tema que me parece particularmente relevante para conselhos de administração. Se a IA assumir uma parcela crescente das atividades analíticas, como garantir que as futuras lideranças continuem desenvolvendo julgamento, pensamento crítico e visão de negócio?
Não existem respostas consolidadas para essa questão. Mas ela me parece tão importante quanto as discussões sobre produtividade, eficiência ou retorno sobre investimento. Afinal, no longo prazo, a qualidade das decisões de uma organização continuará dependendo das pessoas que as tomam.
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