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IA no Conselho: talvez a primeira pergunta seja sobre o próprio Conselho

Um dado me chamou a atenção nas discussões recentes sobre IA e governança. Segundo pesquisa da Deloitte apresentada no Seminário de Finanças e Governança Corporativa do IBGC, 66% dos conselheiros ainda avaliam que seus colegiados têm conhecimento limitado ou nenhum conhecimento sobre Inteligência Artificial. Na edição anterior, eram 79%.

A melhora é bastante relevante, e o mais interessante não é apenas o número. É perceber que muitos conselheiros, depois de décadas de experiência profissional, estão novamente diante da necessidade de aprender algo novo. E isso importa porque a IA já começou a chegar à pauta dos Conselhos, mesmo quando não aparece com esse nome.

Ela está no orçamento de novos projetos, nas decisões sobre tecnologia, na escolha de fornecedores, na segurança dos dados, nos ganhos de produtividade prometidos pela gestão e, cada vez mais, na própria forma como informações e análises chegam ao colegiado.

Perguntas essenciais sobre a tecnologia embarcada nos processos passam a ser regra: Que dependência estamos criando em relação ao fornecedor? Quais dados alimentam esse modelo? Que riscos estamos assumindo?

No próprio seminário do IBGC apareceu a expressão da “rendição cognitiva”, que é o risco de aceitarmos uma resposta produzida pela máquina simplesmente porque ela parece convincente. Para um Conselho, isso toca exatamente em uma de suas funções mais importantes: questionar, confrontar premissas e enxergar riscos que talvez não estejam evidentes na apresentação da gestão.

Por isso, cresce a discussão que a IA nos Conselhos deveria avançar também para a própria composição e avaliação do colegiado. Não necessariamente buscando um “especialista em IA” para ocupar uma cadeira, mas garantindo que exista no Conselho fluência suficiente para entender o impacto da tecnologia sobre estratégia, risco e criação de valor.

A boa notícia é que essa mudança já parece estar acontecendo.

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